segunda-feira, 10 de setembro de 2018

As peripécias do meu amigo empreendedor




Olá vou contar um pouco a história de um amigo de infância que sempre foi empreendedor e hoje está se reerguendo depois de chegar ao fundo do poço.


Nossa história começa em 1992 no bairro em que cresci e fui criado, sem água encanada, energia elétrica ou qualquer sistema de saneamento básico, contudo esse bairro era o maior barato para molecada.


Assim que mudei meu amigo que aqui vou tratar por um apelido fictício de “Chinês” foi uma das primeiras pessoas que tive contato, se eu cheguei naquele bairro sem estrutura imagina ele que já estava ali 3 anos antes de mim.


Todas as famílias da nossa rua eram muito simples, já que ninguém que tivesse boa situação financeira se sujeitaria a morar naquela situação. 


Lembro-me que tinha uma casa em um bairro próximo que de vez em quando os proprietários colocavam a televisão na porta da residência para a molecada ver algum programa e assim que nós assistíamos inúmeros episódios da turma do Chaves.





Um capítulo em especial despertou nosso espirito empreendedor, foi o que Chaves vendia churros.


No outro dia pela manhã pedi para minha mãe fazer algo para eu vender também e foi ai que ela teve a ideia de fazer “chup-chup” ou “geladinho” ou “sacolé”, porém não tinha como gelar, pois não havia geladeira, dessa forma, havia somente o liquido na temperatura ambiente dentro de um saquinho de plástico.


Chamei Chinês e juntos saímos com nossa caixa de papelão – já que não precisava de ser térmica – e para nossa surpresa vendemos tudo, mesmo sem saber ler ou fazer conta, já que tínhamos 5 e 6 anos de idade. Mas acredito que ninguém teve coragem de nos passar a perna.


Depois disso abrimos uma mini mercearia sob caixas de papelão na nossa própria rua com aproximadamente 10 unidades de bala, 1 chiclete e 2 pés de moleque. Algumas pessoas por brincadeira compravam da gente e nós desesperadamente corríamos até a venda mais próxima, algo em torno de 3,5km de distância e rapidamente repúnhamos nosso estoque.


Porém não conseguíamos evoluir nosso negócio e para falar a verdade levávamos muito a sério já que nunca consumíamos nada.


Foi então que um dia minha mãe nos deu uma consultoria gratuita e nos informou que precisaríamos obter algo chamado lucro para conseguirmos mais dinheiro. No entanto, encerramos a empreitada, já que não tínhamos idade suficiente para entender o porquê uma pessoa iria querer pagar mais caro de nós já que a vendinha teria o mesmo produto mais barato.


Já com mais idade partimos para a área que hoje é muito difundida e incentivada a do meio ambiente, assim começamos a catar latinhas na rua para vender em um ferro velho, com o objetivo de angariarmos fundo para a criação do nosso time de futebol, que necessitava de camisas, bola e quem sabe um dia chuteiras, isso nós já tínhamos 9 a 10 anos de idade.


Após 5 dias catando materiais recicláveis conseguimos uma boa quantia para a época, porém esse valor foi totalmente usado para pagar uma bola que pegamos emprestado e acabou furando em uma cerca de arame farpado. Depois disso não quisemos voltar com o negócio já que todo o material do bairro aquela época já tinha sido coletado por nós, e não tínhamos permissão para ir tão longe. 


O tempo foi passando e cada um de nós foi tomando um rumo na vida, com 17 anos abri minha primeira Lan House e Chinês se mudou para uma cidade que é referência em produção de um determinado produto que é vendido em todo Brasil. Lá ele se deu muito bem e abriu uma rota de distribuição do produto e faturava alto, no entanto, um problema que teve com sua esposa o fez deixar tudo e seguir em outra cidade a partir do zero.


Em pouco mais de 2 anos trabalhando muito conseguiu abrir um restaurante e uma lanchonete, conheceu outra mulher e com ela foi morar. Pouco tempo depois descobriu que ela também estava o lesando e teve que desistir do negócio. 


Depois termino galera, agora vou fazer outras coisas aqui em casa por que retorno de feriado é difícil.


  

15 comentários:

  1. Muito boa a história, continua!

    Abraços

    ResponderExcluir
  2. Triste ver relacionamentos acabando com a chance de gente empreendedora, espero que o seu colega tenha aprendido a lição

    ResponderExcluir
  3. Olá LI,

    Muito boa a história.
    Esse seu amigo tem que aprender com os dois tombos. Do jeito que ele está indo ele vai trabalhar só para as mulheres dele. Ele tem que investir sozinho e nada de colocar mulher no negócio, pois ele sempre leva ferro.

    Abraços.

    ResponderExcluir
  4. Olá LI, vamos aguardar a continuação.

    Abs

    ResponderExcluir
  5. Pow na hora que eu estava envolvido com a história, tem que aguardar !! LI você assistiu muito João Kleber kkkk

    ResponderExcluir
  6. Buffet começou novinho também, eu era muito burro fazia serviço braçal quando criança , talvez se tivesse começado no comercio teria empreendido mais cedo.Na verde empreendi com 19 anos mais burro demais ainda .

    ResponderExcluir
  7. Duas falências causadas por companheiras... que dedo podre esse china tem, Lawyer!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mulher quando está tudo bom é uma maravilha agora quando tem crise a coisa pega.

      Excluir
  8. Bela história!! Essa coisa do empreendedorismo já vem com a gente de fábrica.
    Vocês só precisaram da inspiração pra começar.
    Grande abraço.
    Stark.
    www.acumuladorcompulsivo.com

    ResponderExcluir